Manutenção começa no planejamento
O tecido ao redor do implante responde ao biofilme, ao desenho protético e a fatores do paciente. Uma restauração com acesso para higiene e margem bem posicionada é uma intervenção preventiva, não apenas estética.
O que registrar no baseline
- profundidade de sondagem e sangramento em faces padronizadas;
- supuração, placa, recessão e mucosa queratinizada;
- radiografia de referência quando indicada e nível ósseo;
- contatos, excesso de cimento, mobilidade e acesso de higiene;
- histórico de periodontite, tabagismo, diabetes, higiene e medicações.
O consenso da World Workshop define mucosite como inflamação sem perda óssea progressiva e peri-implantite como inflamação associada a perda de suporte. Sem dados de baseline, a equipe perde a capacidade de distinguir uma variação anatômica de uma progressão.
Intervenção escalonada
Na mucosite, remova biofilme e fatores retentivos, oriente higiene e reavalie. Se houver peri-implantite, a terapia deve ser individualizada, podendo incluir medidas não cirúrgicas e cirurgia em casos avancados. A revisão por risco deve considerar periodontite previa, tabagismo, diabetes descontrolado, biofilme e fatores protéticos.
O intervalo não é fixo: a literatura e os consensos sugerem consultas a cada seis meses ou menos, conforme risco e adesão. Um paciente com sangramento persistente, higiene limitada ou histórico de periodontite pode precisar de retornos mais próximos.
O paciente como parte do protocolo
Ensine escovas, fio/superfloss, irrigadores e limites de cada recurso. Explique sinais que exigem contato: sangramento espontaneo, secreção, mobilidade, dor ou mudança de mordida. Documente orientação e resposta, pois manutenção é um processo compartilhado.
Referências técnicas
- Consenso World Workshop sobre doenças peri-implantares
- Consenso AO/AAP sobre prevenção e tratamento de peri-implantite
Para relacionar este tema à origem e ao uso do dispositivo, consulte o guia como nasce um implante dentário: da matéria-prima ao consultório.

